Bem-Estar, Blog

Saudades do Natal

Escrito por no dia 23/12/2014

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Padre Nilton César Boni, cmf, pároco na Paróquia Imaculado Coração de Maria de Curitiba/PR.

Independente da nossa religião, temos um só Deus. Por isso, aproveitando as festas de fim de ano, o dia do Natal e a fé que temos aqui na Ponto Pessoal, conversei com um dos meus guias espirituais em Curitiba, que me acompanha há mais de 5 anos no caminho da fé, para trazer uma mensagem, singela e simples, a fim de que possamos relembrar do nascimento do menino Jesus.

A mensagem que recebemos foi de tamanha comoção, que publicamos ela na íntegra, pois revivemos muitas lembranças que esperamos também ser revividas por você.

Que neste fim de ano tudo se renove a todos nós e que 2015 seja um ano repleto de ainda mais graças e amor de Deus.

 

Padre Nilton Boni – “Quando eu era criança o tempo demorava a passar. Lembro-me que de um Natal a outro era uma eternidade, contávamos os meses e os dias para as festas. Naquele tempo não havia internet e até os meus cinco anos nem televisão. Recordo com carinho de cada conquista, cada aquisição: geladeira, televisão, fogão a gás. Bens preciosos para uma família pobre que sobrevivia dos recursos do campo. Tudo era muito regrado. Refrigerante era artigo de luxo e raro, comprado para ocasiões especiais. Foram muitos os fatos significativos que hoje me levam a valorizar o tempo e a vida.

Mas o Natal, onde fica? Nesta história, está um sentimento de gratidão a Deus. Um mês antes do Natal, minha avó montava a pequena árvore com bolas de vidro coloridas guardadas como verdadeiro tesouro. O presépio muito antigo tinha peças valiosas, pois cada imagem refletia a ternura deste tempo. Plantava-se semente de arroz para que ela germinasse e depois fosse colocada no presépio. Não tinha papai Noel e nem luzinhas piscando. Tudo era muito simples, preparado com muito amor. Era o Natal, era festa realmente!

Além do presépio, se começava a arrumar a casa para a vinda dos parentes. A casa de madeira era pintada, nem que fosse com uma mão de cal virgem para parecer mais nova. No chão de cimento se passava uma camada de cera vermelha. Quantas vezes encerei a casa para que ficasse brilhando! Minha tia fazia docinhos e guardava nas latas de alumínio. Alguns animais eram abatidos antes e suas carnes eram fritas e colocadas em lata de banha para preservar, pois não havia freezer. Preparava-se tudo para a chegada dos familiares. Eu ficava na expectativa para que meus tios e primos chegassem. Tamanha era a ansiedade que eu passava horas olhando para a estrada para ver um sinal de carro. Quando avistava, dava o alarme e todos corriam para a porteira a fim de dar as boas vindas. Mais próxima da data, os fornos de lenha eram carregados de pães e depois de assados diversos. Um cheiro divino tomava conta dos ambientes por causa dos temperos da roça. Nada era artificial, tudo plantado e criado ali mesmo, por nossas mãos.

Saudades do Natal! Tempos de alegria e simplicidade onde a vida realmente era uma festa e o sentimento que brotava era verdadeiro. Não havia troca de presentes, pois não tínhamos este costume. Aliás, não tínhamos dinheiro para comprar. Recordo-me que ganhei meu primeiro presente de natal do meu tio que morava em São Paulo e foi uma caneta. Um artigo de grande valor pra mim. Mas nunca me baixou a estima pelo fato de não ter presente. A espera era maior e as brincadeiras suplantavam qualquer posse material. Eu não sabia o que era luxo. Nossa vida era simples e muito tranquila. Olhando para trás eu reconheço que lá no meu tempo eu tinha qualidade de vida.

Passávamos o Natal com meus avós paternos e o ano novo com os maternos. Tudo muito bem definido para contentar ambos os lados. No dia de Natal vinha muita gente para o almoço e à tarde para o café. Era um clima de fraternidade e fé. O melhor eram as comidas, deliciosas guloseimas feitas somente nesta ocasião. Por isso, que a demora para esta festa era prazerosa. Realmente de um ano para o outro havia uma espera interminável, um contar dos dias para reviver tudo de novo. Quando o Natal terminava, todos iam embora e eu chorava de saudade. A mesma estrada que os trazia também os levava e o mesmo menino que ficava esperando feliz o carro apontar, também se despedia quando ele desaparecia. Choro de saudade. A vida continuava na mesma tonalidade. E tudo era muito bom.

Saudades do Natal! Dizem que a saudade é o amor que fica. Realmente ficaram impressas na minha alma saborosas recordações que jamais serão tiradas. Acredito que precisamos voltar ao passado para restabelecer um novo significado para o presente. No mundo doido que vivemos, o Natal é mais um evento atropelado pelo consumismo e pela agitação. A troca de presentes não tem o mesmo valor de tempo idos. Os valores são outros e hoje não se aceita qualquer coisa. Muitas pessoas nem sequer sabem o que esta data representa. E se perguntarmos, muitos dirão que o Natal é papai Noel. Nem sabem quem é Jesus e muito menos que é o aniversário dele. Pobres corações enlutados!

O Natal do meu passado era esperado, pois o tempo era valorizado. Hoje já se vive o natal antecipando o carnaval, a páscoa, dia das mães, namorados, etc. Ou seja, vivemos sempre o depois e no dia da festa não sentimos absolutamente nada. Vivemos um tempo de ilusão. Por isso, tenho saudades do Natal.

Certamente estas palavras nada representam para quem as lê, pois não tiveram a mesma experiência que eu. Porém, vale testemunhar que o Natal é a gente que faz. Eu não tive escolha quando era criança, o Natal era daquele jeito mesmo e para mim o melhor. Mas hoje posso determinar minha vida e posso voltar às fontes da alegria que sempre me acompanharam. Posso programar meu Natal, as minhas festas e dar a elas o que realmente importa: alegria ou futilidade. Depende da intenção.

Tenho saudades do meu Natal. Por isso eu quero…

Eu quero um Natal, ou melhor, muitos e muitos.
Quero que a estrela de Belém passe sobre meu céu calmamente.
Quero que meus olhos acompanhem o clarão da noite santa.
Que meu coração cante com os anjos o melhor hino de louvor.
Que a terra se encante com o rei que nasce e a paz volte a reinar.
Eu quero um Natal de amor verdadeiro, de fraternidade universal.
Quero a paz duradoura e as vidas restauradas.
Quero unidade e confiança entre os povos.
Eu quero um Natal cheio de compaixão pelos que sofrem.
Quero ver os cristãos adorando o Senhor, envoltos no espírito de Deus.
Quero ver os campos cheios de flores e frutos.
Quero ver todas as criaturas felizes com a vinda do Menino Deus.
Eu quero um Natal, muitos e muitos, únicos e irrepetíveis.
Quero ser um berço para dar carinho ao pequeno Jesus.
Quer ser a família de Nazaré que serve o Deus da luz.
Quero um Natal de esperança e consolo.
Quero que todos os povos celebrem o nascimento de cristo.
Eu quero um coração cheio de presentes para Deus.
Presentes de vida eterna.
Eu quero me entregar ao Menino Deus e servi-lo no silêncio e na fé.
Eu quero que o meu desejo de um mundo melhor se torne realidade.
Esteja unido a mim, espalhe os melhores sentimentos e me ajude a celebrar o Natal com generosidade.
Eu quero que o Natal seja todos os dias.
Que Jesus esteja sempre comigo.
Vem senhor Jesus!

Que todos tenham o melhor Natal de suas vidas, com Cristo no coração. Boas e abençoadas festas!”

Pe. Nilton Cesar Boni, cmf


SOBRE O COLUNISTA

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Fundador e Publisher na Ponto Pessoal – primeiro Portal, Revista digital e Escola sobre Mkt Pessoal do país, no ar desde 2010, Palestrante em Marketing Pessoal e Mercado de Luxo. 11 anos em 2017 com experiência em Marketing Pessoal. Carreira pautada em consultorias, aulas, supervisão de cursos e criação de conteúdos desde 2006, referência em todo país e com experiência internacional, tendo criado e supervisionado cursos de marketing, empreendedorismo e mercado de luxo, pelo Centro Europeu e ISAE/FGV em Curitiba e Paris, capital francesa. Colunista convidado na Revista Terapia do Luxo.
Currículo completo em www.adrianotadeubarbosa.com | Contato: adriano@pontopessoal.com.br

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