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Quer ser Trainee?

Escrito por no dia 03/10/2014

Um salário de Trainee está em torno de R$ 4000,00/mês e com certeza qualquer profissional recém formado almeja iniciar sua carreira sendo orientado a desenvolver projetos, conhecer a área e empresa que o contratou, para então, depois de um período pré-estabelecido em cada programa, assumir uma posição estratégica e aumentar ainda mais seu salário.

Mas para passar em um processo e assumir o cargo é necessário analisar algumas coisas, por isso, conversei com dois Trainees em grandes empresas para entender um pouco mais dos programas. Os dois entrevistados receberam as mesmas perguntas, mas não se conhecem e não sabiam das respostas um do outro. Ao montar essa entrevista para que todos pudessem ler e unir as duas respostas, reparei que elas são muito parecidas, mesmo um estando em São Paulo e outro no Paraná.

Desejo uma excelente leitura e ao final do texto, convido você a comentar conosco suas percepções.

trainee

1) O que pesa mais para quem se prepara para os processos de Trainee? Escolher a empresa ou os processos?

Fernando Junji Ishi | Trainee Natura – Na minha opinião, não tem receita de bolo. Quanto mais empresas você se candidata, maiores suas chances, mas ao mesmo tempo, mais aberta fica a sua procura e consequentemente você pode ter menos qualidade no processo. No meu caso, escolhi muitas empresas, desisti de algumas durante alguns processos e no final foquei em 3 empresas. Acho que independentemente de focar na empresa ou nos processos, o candidato a trainee deve fazer uma pergunta a si mesmo: eu me encaixo na empresa que estou prestando? Faz sentido trabalhar aqui 1, 2, 5, 10, 15 anos? Eu me vejo ocupando cargos de gerente, diretor, VP, CEO, no futuro? Quando eu falo futuro, mesmo gerente, pense em pelo menos 3 anos, em média 4, incluindo o programa de trainee. Não pense que você será gerente depois que acabar o programa de trainee. Existe sim a possibilidade, mas são poucas empresas que entregam essa responsabilidade ao jovem trainee. A segunda pergunta é: gosto do ramo ou aguentaria trabalhar com isso pelo resto da vida? Apesar da vida ser flexível, essa é uma pergunta interessante, pois se você odeia cerveja e quer trabalhar na AMBEV, o financeiro pode não estimular no futuro e o propósito pode falar mais alto. Foi assim que eu desisti do empreendedorismo, mas essa é uma outra história.
Voltando a pergunta, é de extrema importância que você se alimente de forma correta e durma bem antes dos processos, pois você será avaliado presencialmente pelo que apresentar naquele dia. Não haverá segunda ou terceira chance para mostrar o porque você tem fit com a empresa e porque eles devem te escolher ao invés de milhares de pessoas. Por isso, de nada adianta ter currículo, viagens internacionais, experiência de trabalho, se você sequer consegue apresentar tudo isso de forma coerente e concisa. Aprenda a se vender, a mostrar suas características boas. Todos tem potencial, para ser trainees, basta focar nas características fortes.
Finalizando, se no processo você estiver com dor de barriga, eles vão conhecer o candidato com dor de barriga e não o seu “eu” verdadeiro. Por isso, alimente-se bem, descanse bem e treine, pratique, é igual a futebol, é preciso treino para chegar a perfeição. Apresentação pessoal, pré-work, pesquisas, etc. Tudo isso é importante e conta muito no processo. Leve a sério os feedbacks das consultorias e trabalhe em cima deles.

Thales Hara | Grupo Boticário – No momento de inscrição para os processos a maioria dos candidatos tem a tendência em fazer inscrição para TODOS os programas abertos, porém, inevitavelmente, ao longo dos meses e de muitas etapas, os processos começam a exigir maior dedicação (Atividades, Cases on-line e etapas presenciais) e viagens (maioria paga pelas empresas após as Dinâmicas), e a partir desse momento, os candidatos começam a fazer opções entre empresas e processos. Não existe uma “regra”, até porque muitas vezes (maioria delas) os candidatos são recém-formados e não possuem um segmento como target de carreira, nesses casos acabam optando pelos processos mais tradicionais ou mais completos (no programa apresentado com job rotation, muitas vezes com etapa no exterior, mentoring, etc). Em muitos casos, quando o candidato já possui uma ideia de segmento em que tem preferência, ou aqueles que têm certeza que não gostaria de atuar, o filtro começa sem ao menos olhar para os processos. Desta forma, conheça os segmentos que mais lhe atraem, mesmo que de forma macro (ex. gosto de Varejo – Unilver, Ambev, Boticário, etc; e não gosto de Banco – Itaú, Citi, HSBC; ou tenho interesse pelo segmento de construção civil), e a partir de então, possua um filtro inicial/direcionador, para depois começar a olhar os processos mais nos detalhes. Em resumo, ter uma ideia de segmento e estilo de empresa é um bom filtro para canalizar esforços, e posteriormente a avaliação de processos auxilia para que o candidato reflita entre as diferentes oportunidades de desenvolvimento que cada programa oferece, desde treinamentos específicos, até um job rotation ou parte do processo no exterior.

 

2) Qual a melhor vantagem em ser trainee?

Fernando Junji Ishi | Trainee Natura – A melhor vantagem em ser trainee é que você pode dar uma de “João sem braço” e falar com diretores, VPs, e gerentes, que analistas e coordenadores juniors não teriam muito acesso. Você tem liberdade de acesso a pessoas dentro da empresa, você tem semanas de treinamentos focadas no aprendizado. Em alguns programas você tem coaching, mentoring. Você pode acessar pessoas seniores na empresa e pedir conselhos, escutar a história deles e construir algo grande. Você tem acesso às pessoas e você precisa usar o networking para construir algo bom, algo diferente. O bom é que o trainee entra em uma política de crescimento da empresa diferente de outros funcionários e pode acelerar a carreira, não é regra, mas tende a ser verdade.

Thales Hara | Grupo Boticário – A melhor vantagem em ser trainee é a entrada no mercado de forma mais acelerada (o profissional pula alguns degraus na carreira), tanto em base salarial quanto na aquisição de responsabilidades e desenvolvimento. A empresa também possui uma expectativa diferenciada sobre esse profissional, visto que ela investiu em um grande processo com muitos candidatos, consequentemente é criada uma expectativa diferenciada, além do fato que esses profissionais acabam ganhando certa visibilidade pelo menos durante o processo ou no período inicial, além da participação de projetos específicos e de caráter estratégico em sua maioria.

 

3) Entrou em uma empresa, a vida está “feita”?

Fernando Junji Ishi | Trainee Natura – Acho que o verdadeiro desafio começa quando você inicia o programa de trainee. Não sei como é em outras empresas, mas a responsabilidade que me deram é algo bacana, é algo legal. A gestão varia de gestor para gestor, mas estou tendo que pensar mais e só recebo algumas diretrizes, muita coisa preciso ir atrás das respostas e criar junto, ser autêntico. O trainee deve pensar que está lá para incomodar, para ser um agente de mudança, e fazer mudanças que normalmente não ocorreriam. Há resistência de outros colaboradores, pessoas que te julgam sem te conhecer, pessoas que são simpáticas, outras nem tanto, enfim, é a vida corporativa. Para finalizar, acho que comparado ao processo seletivo a vida de trainee é muito mais difícil que a vida de aspirante à trainee. Mas, essa é só a minha opinião.

Thales Hara | Grupo Boticário – Conforme comentei, é uma porta de entrada que acelera o crescimento e visibilidade, porém a expectativa sobre as entregas também é verdadeira. Em um mercado cada vez mais competitivo, tanto entre os profissionais quanto entre os players de mercado, não existe “vida feita”, o processo é uma oportunidade, e a manutenção e bom proveito dela é decorrente da performance apresentada. Usualmente, o público do trainee não tem o perfil de querer uma “vida feita”, até porque o que move a busca por um programa de trainee são oportunidades e desafios em prol de conquistas maiores, e isso não tem nada de “feito” ou simples. Parei de trabalhar em Setembro/2012 para me dedicar aos Processos de Trainee (a princípio a ideia era apenas me “testar” nos processos, para que em 2013 eu pudesse prestar eles com uma maior bagagem), e felizmente, após alguns finais de processos, consegui um oportunidade por intermédio do Processo de Trainee do Grupo Boticário 2013 (não fui aprovado na final, por questões de alinhamento do meu perfil com a vaga em que eu estava direcionado) e fui contratado como Analista Pleno de Inteligência de Marketing (em Novembro, assumo um novo desafio como Analista Sr de Inteligência de Rede/Comercial). Outros profissionais também foram contratados nesse mesmo caso (não passando na última etapa), e continuam crescendo na organização.

 

E você, quer ser Trainee?


SOBRE O COLUNISTA

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Fundador e Publisher na Ponto Pessoal – primeiro Portal, Revista digital e Escola sobre Mkt Pessoal do país, no ar desde 2010, Palestrante em Marketing Pessoal e Mercado de Luxo. 11 anos em 2017 com experiência em Marketing Pessoal. Carreira pautada em consultorias, aulas, supervisão de cursos e criação de conteúdos desde 2006, referência em todo país e com experiência internacional, tendo criado e supervisionado cursos de marketing, empreendedorismo e mercado de luxo, pelo Centro Europeu e ISAE/FGV em Curitiba e Paris, capital francesa. Colunista convidado na Revista Terapia do Luxo.
Currículo completo em www.adrianotadeubarbosa.com | Contato: adriano@pontopessoal.com.br

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