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Como se vender para um Headhunter

Escrito por no dia 07/03/2016

Já não é de hoje que o mercado busca em um profissional algumas características que, digamos, são básicas, porém, não só um, mas a grande maioria (se não a totalidade) dos headhunters não as encontram facilmente nos candidatos que buscam novos desafios.

Uma delas é o inglês. Em 2012, a revista Exame divulgou através de uma pesquisa realizada pela Michael Page e Page Personal que nem metade dos nossos executivos dominavam o idioma. Na época, a pesquisa também foi noticiada pelo Valor Econômico e Portal G1. Pelo visto, quase nada mudou.

Alan Grange, Sócio e Headhunter da MindSearch

Alan Grange, Sócio e Headhunter da MindSearch

 

Em conversa com o Headhunter Alan Grange, sócio da consultoria MindSearch – conheça aqui, com escritório em São Paulo, além do inglês, ainda ressaltamos outras características, que diante da sua experiência tem encontrado nos candidatos.

Mas para não focarmos somente no que não existe, falamos também do perfil executivo brasileiro, das oportunidades que os Jogos Olímpicos trazem ao país e do que é marketing pessoal na visão de um Headhunter.

Confira a entrevista e comece bem a semana destacando sua marca pessoal às pessoas que lhe procuram no mercado em que você está inserido, ou até mesmo quer se inserir.

 

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Alan, você é especialista em recrutamento e seleção de quais profissionais e o que o mercado procura de competências nesses candidatos? São empresas nacionais e internacionais que buscam executivos de quais áreas?

A MindSearch contrata para todos os segmentos e já atua desde 2012 no Brasil todo. Temos contratos com empresas nacionais e internacionais, que procuram no Brasil executivos para expandirem seus negócios. Eu, um dos sócios, me especializei nas áreas de marketing, vendas e tecnologia, e atuo fortemente nas empresas com foco no segmento esportivo.

O que no Brasil este ano tem um destaque maior, devido às Olimpíadas serem realizadas no Rio de Janeiro, mas que vem tomando mais visibilidade lá fora desde o anúncio da Copa do Mundo, realizada em 2014.

As empresas das quais me relaciono buscam profissionais com experiências no segmento esportivo. Ter inglês é fundamental –  por terem sedes fora do país e também atuação em diversos locais. Habilidade de relacionamento também se destaca e saber trabalhar em equipe e se relacionar muito bem é super importante. Itens básicos, hoje, para qualquer segmento, mas que ainda sinto falta nos candidatos.

Interessante ressaltar que mesmo o inglês sendo pré-requisito, vejo que alguns candidatos não se importam em aprender, porque ao assumir os cargos, em algumas empresas, não terão contato com o idioma. Mas não é somente para comunicação que é necessário, as empresas também enxergam os candidatos que se preocuparam em algum momento da vida no aprendizado de outras línguas e até mesmo na convivência com outras culturas. Podemos ressaltar que eles são vistos como quem cuidam das suas carreiras e não somente como quem sabe outros idiomas.

 

O inglês então, infelizmente, não é uma competência encontrada nestes profissionais (isso há bastante tempo). Mas quais outras você pode destacar que os negócios pelo qual você seleciona procuram nos candidatos?

Quero destacar duas competências presentes nos candidatos brasileiros:

– Nós somos resilientes e conseguimos nos adaptar facilmente;
– Nós somos “mão na massa” para gerar novos resultados, porque muitas vezes não temos estruturas nas empresas, mas nem por isso deixamos de realizar.

Estas características destacam os brasileiros em processos seletivos, mas mesmo assim ainda vejo falta de preparo.

Eu vejo vontade dos candidatos, muita vontade, mas quando converso com eles eu ainda identifico que no dia a dia eles não têm tempo e não focam em aprender um novo idioma, em uma especialização, em evolução na carreira com novos aprendizados – não vejo como uma desculpa, porque sei que o dia a dia é intenso de verdade, mas hoje com os EADs (Ensinos a Distância) proporcionados por uma série de faculdades e instituições nacionais e internacionais, o tempo não mais é um fator determinando de falta de preparo.

A organização de tempo nunca foi tão debatida e a busca pela satisfação pessoal também. É tudo questão de organização e direcionamento de carreira para que os resultados e a evolução aconteçam.

 

Como você vê o marketing pessoal destas pessoas? O que você destaca deste assunto e como um candidato pode se mostrar para um Headhunter quando ele busca novos desafios?

Vejo oportunidades não destacadas. Faço entrevistas presenciais e também por Skype, pois atendo o Brasil todo e muitas vezes converso com executivos em outros estados, mas nem assim eles se estruturam fisicamente para a conversa. Acontece de cachorros latirem, filhos solicitarem auxílio, pessoas e barulhos como os da TV os interromperem no momento dessa venda pessoal.

Tem muita gente boa, com excelentes histórias de carreira para contar, mas ainda faltam técnicas de marketing pessoal. Vejo que há alguns pontos super valiosos na carreira que não são destacados quando o candidato se apresenta, por ele achar não ser relevante, mas que na verdade poderia ser determinante nesta apresentação. Isso acontece porque eles não se preparam como deveriam, não enxergam suas carreiras em uma visão externa, deixando de lado muitas oportunidades.

Dicas para que isso não aconteça são:
– Lembrar de todo histórico profissional e dar valor a cada fase;
– Associar o que já foi feito com a posição que está aberta e pela qual você é entrevistado;
– Associar também o histórico do candidato ao da empresa em questão e ao segmento que ela atua;
– Não se preocupar somente com o de/para, mas sim com o contexto daquela entrevista e em quais benefícios o histórico do profissional proporcionará àquela vaga em questão.

 

Para finalizar: é importante o contato com headhunters mesmo no momento em que não se está procurando novos desafios? Por que e como desenvolver esse contato?

O candidato deve mostrar como está evoluindo sua carreira, as movimentações de empresas e os resultados. Isso pode ser feito através de um breve e-mail ou até mesmo pelo Linkedin. Nada muito extenso, mas bem objetivo.

O relacionamento entre Headhunter e candidato é para a vida, não somente para aquela função, por isso as atualizações são importantes, pois o mercado é dinâmico e sempre existirão oportunidades maiores para os candidatos que se evidenciam no mercado em que estão e que investem em relacionamentos.

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Tudo isso pode ser facilmente trabalhado com o marketing pessoal, pois os exercícios que eu e o time da Ponto pessoal proporcionamos trazem exatamente esta consciência: a de que somos únicos no mercado e que devemos trabalhar estrategicamente o reconhecimento das pessoas pelo que fazemos.

Afinal, quem não é visto, não é lembrado, e assim perdemos várias oportunidades.
Não há segredos para evolução, como ressaltado pelo Headhunter. É necessário investimento em carreira (investimento próprio, pois foi-se o tempo em que as empresas investem em seus funcionários), mudança de paradigmas de que somente quando precisamos é que vamos nos desenvolver e muita, muita atitude em aprender sempre mais.

 

Quer trabalhar seu Marketing Pessoal?

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SOBRE O COLUNISTA

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Fundador e Publisher na Ponto Pessoal – primeiro Portal, Revista digital e Escola sobre Mkt Pessoal do país, no ar desde 2010, Palestrante em Marketing Pessoal e Mercado de Luxo. 11 anos em 2017 com experiência em Marketing Pessoal. Carreira pautada em consultorias, aulas, supervisão de cursos e criação de conteúdos desde 2006, referência em todo país e com experiência internacional, tendo criado e supervisionado cursos de marketing, empreendedorismo e mercado de luxo, pelo Centro Europeu e ISAE/FGV em Curitiba e Paris, capital francesa. Colunista convidado na Revista Terapia do Luxo.
Currículo completo em www.adrianotadeubarbosa.com | Contato: adriano@pontopessoal.com.br

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